12 de novembro de 2018

Mais um auxílio no estudo da composição musical

Mais uma sugestão de leitura. Novamente in english, infelizmente. Mais dólares ou euros para gastar. Ou, com sorte, encontrar nas bibliotecas especializadas.

Trata-se de New Music Composition, de David Cope, editado por Schirmer Books, Nerw York. Este é também um bom livro para os interessados pelo estudo de composição musical.

São 27 capítulos, com bastantes exemplos, todos do autor, exercícios e sugestões de obras para análise após cada capítulo, terminando com uma boa bibliografia que aborda os assuntos da moderna técnica composicional.

Abaixo, vai o índice. Encontrando o livro, “boa leitura!”:

Introduction / Harmonic Progression and Chromaticism / Twelve-tone Processes / Melodic Direction / Pointillism and Klangfarbenmelodien / Polytonality / Interval Exploration / Cluster Techniques / Microtones / Percussion and Prepared Piano / Rhythm and Meter / Indeterminacy / Multimedia / Electronic Music I : Music Concrete / New “Traditional” Instrument Resources / Electronic Music II : Synthesizer Techniques / New Instruments / Electronic Music III : Further Extensions / Total Organization / Computer Techniques / Texture / Modulations / Notation / Minimalization / Mixed- and Inter-media / Biomusic / Antimusic / Decategorization / Appendix I : The Composer’s Table / Appendix II: Further Reference Materials / Appendix III: Brief Glossary of Terms

5 de novembro de 2018

Um auxílio no estudo da composição musical

Conselho não é coisa que se dê, pois, como diz o povo e o povo sempre tem razão (assim diz o próprio povo...), se conselho fosse bom não se dava, vendia-se!

Não é um conselho, por favor, é apenas uma sugestão de leitura... in english, infelizmente, porque o assunto em pauta, como ocorre com diversos outros, tem uma bibliografia quase insignificante, em nosso idioma. Que fazer? Gastar em dólares, euros ou procurar nas bibliotecas especializadas.

Um bom livro, que deve ser lido com atenção por todos os interessados pelo estudo de composição musical, é Twentieth Century Composition, de Leon Dallin, editado por WM. Brown Company Publishers, Dubuque, Iowa, USA.

São 20 capítulos, com mais de trezentos exemplos extraídos de obras de diversos compositores e exercícios após cada capítulo, que tratam de diversos assuntos da moderna técnica composicional. Afinal, estamos mais para Século XX do que XXI...

Para que se tenha uma idéia do conteúdo, transcrevo o índice e como costuma dizer meu amigo e parceiro Luiz Guilherme de Beaurepaire, “boa leitura!”:

Introduction / Melodic contour and organization / Modal melodic resources / Twentieth century melodic practices / Rhythm and meter / Chord Strcture / Harmonic progression / Tonality / Cadences / Nonharmonic materials / Motivation of harmony / Thematic metamorphosis / Imitative procedures / The twelve-tone method / Total organization / Microtones / Special effects / Indeterminate procedures / Electronic and other new music / Practical suggestions / Appendix

10 de outubro de 2016

O sonho de um compositor

Amigos:
Outro dia, acordado sonhei que recebia um cheque nominal com a singela e insignificante importância de...  Pasmem os senhores! – Cr$ 318.010.000.000.000.000,00 (Trezentos e dezoito quatrilhões e dez trilhões de cruzeiros), junto com um recibo a ser assinado, onde constava que era referente a pagamento de direitos autorais.
– Direitos autorais... Direitos autorais? Alvíssaras! Vou passear a Europa toda até Paris. Até que enfim agora sou feliz (Feliz como um pinto no lixo, embora ainda não entenda como é que alguém pode, como um pinto, ficar feliz no lixo).
Continuei:
– Não vou mais trabalhar. Darei toda roupa velha aos pobres e a mobília sem quebrar. A patroa vai ter outra lua-de-mel, será madame e morar num grande hotel. Vou comprar um nome não sei onde de Marquês ou de Visconde. Dispensarei o francês mon amour e a Madame Pompadour. Não ficarei devendo nada ao Zé ninguém do armazém. E vou procurar saber onde comprar um avião azul para percorrer a América do Sul.
Assinei o recibo e coloquei a data depois de conferi-la devidamente no calendário pendurado na parede: 10 de outubro de 1966.
Exclamei:
– Ué!... Mil novecentos e sessenta e seis?!...
Mas de repente, derrepenguente, a patroa me acordou:
– Está na hora do meu batente. Assina o recibo que vou depositar o cheque.
Cai na real e assinei o dito cujo, conferindo a data no celular: 10 de outubro de 2016. Conferi o cheque: R$ 115,64 (Cento e quinze reais e sessenta e quatro centavos).
Pensei cá com minhas semicolcheias que se fosse possível possuir a maquininha de H.G.Wells após a conversão da moeda de hoje na de cinqüenta (com trema sempre) anos atrás... Se fosse possível...
– Se acorda, vargulino! Saia pela porta de trás que na frente tem gente.
Foi um sonho, minha gente!

Um compositor em seu uniforme de trabalho descansa...
sobre o resultado da arrecadação dos seus direitos autorais!...

26 de fevereiro de 2015

Viva a roupa nova do rei!

Sempre gostei de uma boa estória. Desde criança, gostava de ler e de ouvi-las e autores como Monteiro Lobato, Andersen, Dickens e outros faziam parte do meu cotidiano. As fábulas, historietas, contos e novelas me agradavam em cheio. Acompanhava-as também através da televisão. No meu tempo de criança, a televisão era feita ao vivo e havia diversos programas de teatro. Um deles, meu favorito, era o “Teatrinho Trol”, com peças infantis.
Uma das estórias que foi apresentada, e que logo me tornei admirador, foi uma adaptação do conto “A roupa nova do rei”, de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen.
Tenho a impressão que todos conhecem a trama. Se não, com licença do Andersen (!...), vou fazer um pequeno resumo do que se trata. Peço apenas que o leitor, em sua infinita bondade, perdoe minha falta de talento assumido para a literatura infantil, juvenil etc., etc.

Ilustração de Bertall para o conto A Roupa Nova do Rei
A coisa é mais ou menos assim.

Num reino, reino típico de estórias infantis, ou seja, sem uma clara localização geográfica, havia naturalmente um rei. Rei vaidoso e egoísta que só pensava em si mesmo e não nos interesses do reino e de seu povo (fato raro de se ver hoje em dia...). Pois bem, um dia, aparece perante ele um alfaiate, um alfaiate mágico, que se propõe a fazer-lhe gratuitamente uma roupa especial para que seja usada na festa mais importante do reino, na data tal e não importa qual.
O rei fica entusiasmado e, ao saber que nada pagaria pelo trabalho, aceita a oferta, feliz. O alfaiate, então, lhe apresenta um baú a qual chama de mágico, onde estão os tecidos com os quais ele fará a tal roupa. Porém, adverte ao monarca que somente os tolos não conseguiriam ver os tecidos, suas texturas e cores. Mas os sábios veriam e se deleitariam.
O alfaiate abre o baú e o rei, juntamente com os seus auxiliares, ministros e outros menos votados, ao olhar para dentro da caixa, afirmam imediatamente, sem vacilar, o quão lindo eram os tecidos, as texturas e as cores. E ficam entre si tecendo os mais elogiosos comentários.
Com o passar dos dias, a roupa é confeccionada. E são feitas várias provas com o próprio rei como modelo e todos os que veem o desenvolvimento do trabalho concordam que sua majestade ficará, sem dúvida alguma, elegantemente trajada.
No dia da festa, surge o rei vestido com sua nova roupa. Seus auxiliares diretos e ministros festejam exultantes. E ele, vaidoso, entra em sua carruagem real aberta para dar uma volta pelo seu reino e ser admirado pelo seu povo. Seus súditos sabiam desde o princípio da estória que somente os tolos não enxergariam a roupa e, então, ao verem o rei no seu coche, gritam entusiasmados:
- Que tecido, que textura, que cores! Viva a roupa nova do rei! Viva o rei!
E o rei, naturalmente, orgulhosíssimo.
Tudo vai correndo muito bem até que um menino, um menino bem pequeno, um tolo claro, meio que perdido no meio da multidão, ao ver o rei em seu novo traje, grita, revelando a todos o óbvio:
- Mas o rei está nu!
O final da estória, o leitor pode imaginar com facilidade.
Contei uma estória. Agora, se você me permitir, paciente leitor, contarei uma história.
Há alguns anos, estava exercendo o cargo de diretor da Divisão de Música do Instituto Municipal de Arte e Cultura - RIOARTE, órgão do governo municipal da cidade do Rio de Janeiro, hoje infelizmente extinto.
O setor que eu dirigia era responsável pela realização de concertos e recitais de música dita erudita e dita popular, e também por edições de partituras e discos. Num dos recitais que organizamos, tivemos a oportunidade de apresentar um conjunto de câmara oriundo de um país do norte da Europa que era especializado na chamada música contemporânea.
Por uma questão de ética, não citarei o nome do conjunto e nem o país, caro leitor. Perdoe-me mais uma vez.
O conjunto foi programado para o Espaço Cultural Sérgio Porto aqui no Rio de Janeiro. O Sérgio Porto era (não sei se ainda é) um local onde se realizavam eventos de todo tipo, sejam eles de música, de dança, teatro, poesia e também exposições de artes plásticas.
E programado para o único dia que dispúnhamos livre, uma segunda-feira. Dia ruim para eventos deste tipo.
Apesar de toda divulgação que fizemos, não conseguimos atrair ao teatro mais do que 20 pessoas.
O recital durou cerca de uma hora e meia e foi excelente, o grupo era muito bom. Eu, porém, estava um pouco envergonhado pelo pequeno público e pela reação fria ao trabalho deles. Já me preparava para tentar explicar aos membros do conjunto que o problema da segunda-feira quando, pela minha surpresa, percebi o entusiasmo dos integrantes do conjunto com a platéia presente. Eles estavam felicíssimos. Tinham adorado a reação do público e o “maravilhoso” (sic) número de pessoas que tinham assistido a apresentação.
- Geralmente, quando fazemos nossos recitais na Europa, temos um público de 4 a 6 pessoas. Já tocamos até para duas pessoas. E, além disso, o público é muito frio! - concluiu um dos músicos entusiasmado.
E eu que achara o nosso pequeno público frio...
Então, perguntei a eles por que o conjunto, que era muito bom, com excelentes músicos, continuava fazendo exclusivamente um só tipo de música, para tocar para públicos pequenos e frios:
- Não seria o caso de se ampliar o trabalho? –perguntei. Não falo de uma mudança radical, mas de um repertório mais abrangente de estilos e gêneros e assim alcançar um público maior e mais... quente?
A resposta, surpreendente para mim, pelo menos, foi dada por dos um dos integrantes do conjunto, com o aval de todos:
- A crítica não aceitaria mudanças.

Veja meu caro leitor, que tecido, que textura, que cores!

Viva a roupa nova do rei!